Em cartaz

SOLO DE MARAJÓ CELEBRA 10 ANOS COM NOVA TEMPORADA

Espetáculo teatral criado pelo grupo paraense USINA a partir da obra de Dalcídio Jurandir já foi apresentado em diversos estados brasileiros e agora volta a cartaz em Belém, de 18 a 20 de abril, às 20h, no Teatro Waldemar Henrique

Sozinho sobre o palco vazio, um ator conta oito histórias que, reunidas, fazem um retrato dos modos de vida do povo habitante de pequenos povoados à beira dos rios. Usando apenas corpo e voz, ele constroi narrativas que levam o espectador a imaginar pessoas, paisagens, cores, sons e cheiros que compõem o universo amazônico.

Tanta ousadia na encenação de Alberto Silva Neto, aliada à segura atuação de Claudio Barros, têm levado Solo de Marajó a ser aplaudido não apenas em terras paraenses, mas quando ultrapassa nossas fronteiras para realizar apresentações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói. O espetáculo também teve ótima recepção do público ao realizar turnê nacional por 10 cidades de 5 estados brasileiros, em 2015.

Mas, um fator fundamental responsável por toda admiração e respeito conquistados por Solo de Marajó nessa trajetória, que já alcança uma década, vem do fato desse espetáculo criado pelo grupo USINA ser uma adaptação da obra do romancista marajoara Dalcídio Jurandir, um ícone da literatura produzida no norte do país.   

As narrativas de Dalcídio traduzem a complexidade da nossa região, onde a riqueza e a exuberância da vida ligada ao ambiente natural contrastam com um drama social histórico, consequência da exploração predatória e violação de direitos elementares.

Foi a precepção dessa visão multifacetada do autor que levou o núcleo de criadores do USINA a construir uma dramatugia feita de pequenas histórias, extraídas do romance Marajó – o segundo escrito por Dalcídio e publicado em 1947 –, sem a preocupação em dar conta da fábula romanesca, mas preservando o estilo da escrita dalcidiana.

A montagem de Solo de Marajó dá continuidade a uma pesquisa de 15 anos do grupo sobre poéticas capazes de retratar cenicamente a experiência humana na floresta.

 

Ficha técnica: Atuação e figurino: CLAUDIO BARROS. Encenação, direção e iluminação: ABERTO SILVA NETO. Dramaturgia: ALBERTO SILVA NETO, CLAUDIO BARROS E CARLOS CORREIA SANTOS. Fotos de divulgação: JM CONDURU. Produção: NANDRESSA NUÑEZ.

USINA: 30 ANOS

O grupo de teatro paraense USINA foi fundado em 1989 por um grupo de jovens artistas para praticar um teatro político que teve participação ativa nos movimentos estudantis e sindicais. De lá pra cá, sua trajetória é atravessada por várias fases protagonizadas por diferentes núcleos de criadores, sempre marcadas pela experimentação com a linguagem cênica.

Desde 2004, o grupo dedica-se à construção de uma poética orientada para o objetivo de traduzir cenicamente os modos de vida dos povos que habitam a floresta amazônica. Além de Solo de Marajó (2009), o grupo possui em repertório os espetáculos Parésqui (2006), sobre a vida de uma família de ribeirnhos que vive na Ilha do Combu; e Pachiculimba (2017), inspirado em cosmogonias de povos ameríndios.

 

DALCÍDIO JURANDIR

Nascido na vila de Ponta de Pedras, na Ilha de Marajó, em 10 de janeiro de 1909, Dalcídio Jurandir Ramos Pereira foi jornalista e escritor. Passou a infância no município vizinho de Cachoeira do Arari e logo depois mudou-se para Belém. Foi para o Rio de Janeiro pela primeira vez em 1928, com apenas 19 anos, onde chegou a lavar pratos para sobreviver. Ainda voltou ao Pará algumas vezes mas viveu no Rio até morrer, no dia 16 de junho de 1979.

Segundo o crítico Benedito Nunes, para quem a obra do escritor marajoara funda a paisagem urbana na literatura amazônica, os dez romances (além destes, ele ainda escreveu Linha do Parque, de temática proletária e publicado no Rio Grande do Sul e na Rússia) integram um único ciclo romanesco, quer pelos personagens e as relações que os entrelaçam, quer pela linguagem que os constitui, num percurso que vai desde Cachoeira do Arari até Belém, criando uma radiografia tanto do ambiente rural na Amazônia quanto da periferia da capital paraense no Século XX.

Apesar de ser frenquentemente enquadrada na segunda fase do modernismo brasileiro, caracterizada sobretudo pelo regionalismo e pela denúncia social, a obra de Dalcídio ultrapassa toda forma de enquadramento.

Do ponto de vista formal e estilístico, a prosa dalcidiana explora elementos da narrativa moderna, como as quebras com a linearidade espaço-temporais, uso da técnica do fluxo de consciência para realçar a densidade psicológica dos personagens ou a projeção de sentimento na descrição da paisagem.

Serviço: Solo de Marajó, do grupo USINA, de 18 a 20 de abril, sempre às 20h, no Teatro Experimental do Pará Waldemar Henrique (Praça da República s/n), com ingressos a R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada para estudantes).

Contatos para maiores informações e entrevistas:

Alberto Silva Neto (diretor) 91 99391-1020 / netosilvaalberto@gmail.com

Claudio Barros (ator) 91 98475-5649 / barrosclaudio61@gmail.com

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